Quinze
por cento da área desmatada na Amazônia Legal brasileira até 2008 apresentam
potencial para elevar os índices produtivos do Brasil e estão em condição de
sub-uso ou mesmo sem utilização. Na prática, são quase dez milhões de hectares
em pastagens sujas, com solo exposto ou em regeneração e que podem ser
melhoradas para aproveitamento do setor agropecuário. É o que aponta o
TerraClass, sistema baseado em estudos do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Conforme
explica Cláudio Almeida, chefe do Inpe Amazônia e um dos coordenadores do
TerraClass, o número foi calculado com base no ano de 2008, quando o sistema
desenvolvido pelas entidades do Governo Federal mostrou a dinâmica de ocupação
das terras desflorestadas na Amazônia Legal.
"Essas
são áreas que podem ser melhor aproveitadas, onde estão pastagens ruins. Há uma
potencialidade e pode [o espaço] ser usado para agricultura sem precisar abrir
novos territórios. Estão sendo sub-aproveitadas", declarou o representante
do Inpe.
No
Brasil, em 2008, o governo federal mapeou o desmate de 719.210,99 quilômetros
quadrados dentre os nove estados que integram a região amazônica: Acre, Amapá,
Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Rorraima e Tocantins. Ao
analisar a ocupação destes espaços o TerraClass mostrou que a maior parcela foi
ocupada pela atividade pecuária. No entanto, o sistema não especifica se o
mesmo setor foi responsável pelo desmatamento no território.
Mas
além de ocupado pela pecuária, posterior aos desflorestamentos, algumas áreas
foram preenchidas também com atividade agrícola, mineradora, ocupação urbana,
entre outras destinações.
Somente
em Mato Grosso, único estado do Brasil a ter em seu território a presença de
três biomas (Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica), possui sob influência da
Amazônia Legal mais de 500 mil quilômetros quadrados. De acordo com o
TerraClass, este estado possui em torno de 3 milhões de hectares em pastagens
dentro da região amazônica que podem ganhar nova destinação. Serem preparados e
transformados para receber plantação de grãos, sistemas de integração ou mesmo
a pecuária.
Conforme
explica o chefe do Inpe, Cláudio Almeida, 1,8 milhão de hectares são de pasto
sujo; sendo 1,1 milhão de regeneração com pasto e 33 mil hectares com pasto em
solo exposto. Para o setor produtivo de Mato Grosso, mais que ter um espaço
disponível para utilização pela agropecuária e de maneira legal é necessário
encontrar formas de obter recursos para investir nas atividades.
"É
preciso tecnologia para reformar pastos, melhorar pastagens, a genética.
Acontece que não temos políticas públicas. O produtor não pode fazer tudo
sozinho. Tecnologia é um produto exposto, mas é preciso dinheiro para
adquiri-la", pontuou Luciano Vacari, superintendente da Associação dos
Criadores de Mato Grosso (Acrimat).
Vacari
lembra que aproveitar o potencial das terras pouco utilizadas no estado
serviria para a unidade federada aumentar seus índices produtivos. Somente a
pecuária, por exemplo, teria condições de dobrar o número de animais criados em
cada hectare.
Mas os investimentos
exigem cifras bilionárias. Pelos cálculos da Acrimat, somente para recuperar no
estado as chamadas terras degradas seriam necessários pelo menos R$ 15 bilhões.
"A média do estado é de um animal por cada hectare. No mínimo fazendo uma
análise modesta, teríamos condições de dobrar os nossos índices de
produtividade, chegando até cinco vezes mais. Poderíamos aumentar os abates,
exportar mais, consumir e produzir mais. Mas temos as limitações que é a condição
de pastagem que não permite colocar mais animais", considerou o
superintendente da Acrimat. "Poderemos atingir isso com políticas
públicas. Sem elas, o pecuarista não tem a menor condição de arcar
sozinho", finalizou.
Fonte: Folha de Boa Vista

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