quinta-feira, 15 de março de 2012

Acordo evita despejo de famílias de propriedade particular em Roraima

Uma decisão judicial de imissão de posse em favor da empresa Sarandi Bureal envolvendo 16 lotes da Gleba Cauamé, localizada na região conhecida como Urubuzinho, a 25 quilômetros de Boa Vista, gerou preocupação e transtorno aos moradores que residem na área rural há pelo menos trinta anos, conforme relatos.
A empresa foi imitida na posse de 1.700 hectares, entretanto o conflito ocorreu em apenas 100 hectares, local onde estão alojadas cerca de 12 famílias que dependem da produção e criação desenvolvidas nas terras.
No momento em que o oficial de justiça foi cumprir a ordem judicial e realizar o processo de retiradas das famílias, houve uma reunião entre representantes da empresa, famílias e o Instituto de Terras de Roraima (Iteraima).
O grupo chegou a um acordo e a empresa abriu mão dos 100 hectares onde estão localizadas as famílias. Diante disso, o presidente do Iteraima, Márcio Junqueira, explicou que será feito um levantamento das famílias que residem na área, para que o processo de regularização de terras daqueles que ainda não deram entrada no Iteraima comece, pois, segundo ele, existem pessoas que já possuem documentação das terras em questão.
“O importante é que ninguém foi retirado da área. Conseguimos o acordo para aqueles que efetivamente vivem nas propriedades e podem comprovar isso. Agora é só iniciar o processo de regularização”, concluiu Junqueira.
TENSÃO - Antes do acordo, o que existia durante o processo de desocupação era a incerteza, preocupação e tristeza por parte dos proprietários que realmente fazem das propriedades um meio de vida.
Maria das Graças Barroso, 53, vive no sítio há 30 anos e dizia que não iria fazer o que a empresa estava propondo inicialmente, que era arrendar as terras para os proprietários por um aluguel em torno de R$ 1 mil.
“Como é que eu vou pagar aluguel de algo que é meu, pelo qual pago imposto todos os anos. O Iteraima já esteve aqui e fez o georreferenciamento da área para emitir o título definitivo e por isso não aceitariam acordo algum. Isso é um absurdo, neste lote eu crio mais de oitocentas galinhas, cultivo várias culturas. É desta área que tiro meu sustento”, explicou Maria das Graças, enquanto apresentava a documentação referente ao terreno de 12 hectares.
Antes do acordo, o advogado de Maria das Graças, Marcelo Martins, disse que estava tentando reverter à situação por meio de uma liminar. “Já fizemos o pedido ao desembargador Mauro Campello e estamos esperando o deferimento do mandado de segurança para garantir que estas pessoas permaneçam em suas terras”, completou Martins.
Edvaldo Pereira é outro proprietário atingido pela decisão que beneficiou a Sarandi Bureau, a reportagem também acompanhou as negociações na propriedade de Pereira e no local, amigos, vizinhos e parentes ajudavam a colocar as coisas em cima dos caminhões enviados para o cumprimento do mandado de imissão de posse que findou em acordo. “É o meu suor plantado nestas terras, temos anos de vida e esforço nestas áreas, não seria justo se isso fosse concretizado”, defendeu Edvaldo Pereira.
OUTRO LADO - A reportagem tentou contato com a empresa Sarandi Bureau, mas não foi possível, pois não foi localizado nenhum responsável ou representatividade em Boa Vista. (T.R.)

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