A empresa foi imitida na posse de 1.700 hectares, entretanto o conflito ocorreu em apenas 100 hectares, local onde estão alojadas cerca de 12 famílias que dependem da produção e criação desenvolvidas nas terras.
No momento em que o oficial de justiça foi cumprir a ordem judicial e realizar o processo de retiradas das famílias, houve uma reunião entre representantes da empresa, famílias e o Instituto de Terras de Roraima (Iteraima).
O grupo chegou a um acordo e a empresa abriu mão dos 100 hectares onde estão localizadas as famílias. Diante disso, o presidente do Iteraima, Márcio Junqueira, explicou que será feito um levantamento das famílias que residem na área, para que o processo de regularização de terras daqueles que ainda não deram entrada no Iteraima comece, pois, segundo ele, existem pessoas que já possuem documentação das terras em questão.
“O importante é que ninguém foi retirado da área. Conseguimos o acordo para aqueles que efetivamente vivem nas propriedades e podem comprovar isso. Agora é só iniciar o processo de regularização”, concluiu Junqueira.
TENSÃO - Antes do acordo, o que existia durante o processo de desocupação era a incerteza, preocupação e tristeza por parte dos proprietários que realmente fazem das propriedades um meio de vida.
Maria das Graças Barroso, 53, vive no sítio há 30 anos e dizia que não iria fazer o que a empresa estava propondo inicialmente, que era arrendar as terras para os proprietários por um aluguel em torno de R$ 1 mil.
“Como é que eu vou pagar aluguel de algo que é meu, pelo qual pago imposto todos os anos. O Iteraima já esteve aqui e fez o georreferenciamento da área para emitir o título definitivo e por isso não aceitariam acordo algum. Isso é um absurdo, neste lote eu crio mais de oitocentas galinhas, cultivo várias culturas. É desta área que tiro meu sustento”, explicou Maria das Graças, enquanto apresentava a documentação referente ao terreno de 12 hectares.
Antes do acordo, o advogado de Maria das Graças, Marcelo Martins, disse que estava tentando reverter à situação por meio de uma liminar. “Já fizemos o pedido ao desembargador Mauro Campello e estamos esperando o deferimento do mandado de segurança para garantir que estas pessoas permaneçam em suas terras”, completou Martins.
Edvaldo Pereira é outro proprietário atingido pela decisão que beneficiou a Sarandi Bureau, a reportagem também acompanhou as negociações na propriedade de Pereira e no local, amigos, vizinhos e parentes ajudavam a colocar as coisas em cima dos caminhões enviados para o cumprimento do mandado de imissão de posse que findou em acordo. “É o meu suor plantado nestas terras, temos anos de vida e esforço nestas áreas, não seria justo se isso fosse concretizado”, defendeu Edvaldo Pereira.
OUTRO LADO - A reportagem tentou contato com a empresa Sarandi Bureau, mas não foi possível, pois não foi localizado nenhum responsável ou representatividade em Boa Vista. (T.R.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário