quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quatro pragas preocupam em Roraima

Pelo menos quatro pragas causam preocupação em Roraima, ainda que em graus diferentes. A quantidade, considerada alta, está relacionada com o fato de o Estado estar situado numa região de fronteira, próximo a países que não têm um sistema de defesa agropecuário fortalecido.

Além da praga descoberta mais recentemente, a cochonilha rosada do hibisco (em dezembro do ano passado), Roraima está em estado de alerta com o ácaro vermelho, ácaro hindu e a mosca da carambola, que é a mais preocupante no momento. Elas constituem pragas quarentenárias, que estando presente em outros países ou regiões, mesmo sob controle permanente, constitui ameaça à economia agrícola do país ou região importadora exposta.

Tais organismos são geralmente exóticos para esse país ou região e podem ser transportados de um local para outro, auxiliados pelo homem e seus meios de transporte, através do trânsito de plantas, animais ou por frutos e sementes infestadas.

Conforme explicou o superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Gelb Platão, a mosca da carambola é a que mais preocupa, pois influencia diretamente na fruticultura, em ascensão no país. A produção brasileira de frutas aumentou 19% entre 2001 e 2009, tornando o país o terceiro maior produtor mundial de frutas.

Ao contrário, a cochonilha rosada do hibisco não representa risco à economia do Estado, pois não há uma exportação de mudas, alvo do controle da praga. O tratamento dispensado à cochonilha rosada do hibisco consiste em conter a praga para que ela não se espalhe para o restante do país.

Já a intenção do governo é de erradicar a mosca da carambola, processo que já está em fase final. Trata-se de uma vigilância constante, pois a qualquer momento a praga pode reaparecer. Na segunda quinzena do próximo mês, uma reunião com a coordenação nacional do Programa de Erradicação da Mosca da Carambola deve definir as novas diretrizes de controle.

A vulnerabilidade nas fronteiras ocorre, segundo Platão, porque tanto a Venezuela quanto a Guiana não têm uma comercialização desses produtos, provocando uma displicência desses países com o controle sanitário. “Já o Brasil vive situação diferente, pois quem quer exportar precisa ter uma preocupação com a parte sanitária, que é amplamente cobrada pelos estados e países que importam estes produtos”, explicou.

O governo estuda a possibilidade de firmar um termo de cooperação técnica para que a Guiana intensifique os trabalhos de controle no seu território.

CONTROLE – O controle da mosca da carambola é feito por meio de armadilhas de Jackson (que captura os machos) em todos os pontos de controle, além da armadilha de MacPhail (voltada para as fêmeas), instaladas nos três pontos onde foram detectados os focos. Ao todo são 493 armadilhas em dez pontos, abrangendo todo o Estado. A captura mais recente aconteceu em 03 de junho, no município de Uiramutã.

Com relação ao ácaro vermelho, o controle é feito por meio de uma instrução normativa para que os produtores – especialmente de banana, que foi a cultura mais afetada – só façam o transporte de carga mediante inspeção prévia, além da fiscalização na barreira fitossanitária nos km 500 da BR 174.

Aproximadamente 1.500 famílias vivem da renda do plantio da banana nos municípios do sul de Roraima. Na época da infestação, houve rápida intervenção do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que impôs barreiras para impedir a comercialização de banana para fora do Estado, causando muitos prejuízos aos produtores da região. Hoje a exportação já está normalizada.

Com relação ao ácaro hindu, que atinge frutos cítricos, uma lavagem do produto antes da exportação garante a lisura do fruto. 

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