O cacaueiro da Amazônia (Theobroma cacao L.) faz parte
da família Sterculiaceae. Está espécie arbórea quando adulta apresenta
em media dez metros de altura, com folhas 30 cm de comprimento por 15 cm
de largura, coriáceas e de coloração verde-clara em ambas as faces.
Apresenta caulifloria, onde diferentemente das folhas as flores, são
extremamente pequenas, de coloração avermelhadas e inodoras. A parte
comercial, os frutos, pode medir até 25 cm, quando maduras, apresentam
tonalidade esverdeada, amarela ou roxa. Em um fruto pode ser produzido
aproximadamente 40 sementes, estas sempre envolvidas por uma polpa
viscosa e esbranquiçada. Um indivíduo de cacau, em condições ótimas de
desenvolvimento, pode ultrapassar 100 anos de vida, onde no terceiro ano
de vida inicia sua frutificação, entretanto atinge seu pico máximo de
produção com oito anos em medias, mantendo o mesmo por cerca de 30 anos.
O cacaueiro é apontado como uma
das primeiras espécies florestais no Brasil a adquirir elevado valor de
mercado. Seguindo o histórico do ciclo econômico no qual os produtivos
extrativos estão submetidos, o cacaueiro nativo da Amazônia foi
domesticado para produção em cultivos e levado para a região sul da
Bahia, zona de escape do fungo causador da vassoura-de-bruxa,
Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer, sobretudo na região de Ilhéus,
na qual ganhou grande notoriedade e porção do mercado.
Os plantios comerciais na Região
Amazônica, diante da demanda, ainda são incipientes. Mesmo sendo uma
espécie nativa da Amazônia a sua produção é baixa se não for tratada
como uma espécie agrícola que demanda manejo deste o plantio a colheita
dos frutos. Assim, tendo em vista que a Amazônia é pouco competitiva em
relação a outras regiões do país e do mundo quando se trata da
exploração de recursos florestais domesticáveis, como o cacaueiro
nativo, faz-se necessário modificar algumas ideias lançadas por
estudiosos, como exemplos que a Amazônia sempre perderá suas riquezas
para outras regiões do país e do mundo, ou que suas riquezas serão
sempre exploradas por pessoas de outras regiões.
Diante disso, o crescimento da produção do Cacaueiro
nativo em sistemas agroflorestais (SAFs), além de ser eficiente no
aumento da produção de frutos, vem a atender os requisitos do “Marketing
Verde” (uma ferramenta estratégica para atrair consumidores preocupados
com a temática dos produtos ambientalmente corretos) diante de uma
sociedade mundial que vem se tornando cada dia mais preocupada com o
meio ambiente.
Acontece que os cultivos de cacau,
após anos seguidos de plantios e replantios sucessivos deixaram o cacau
sem “sustância”, como dizem muitos produtores. Uma alternativa para
evitar a perca da qualidade do sabor das sementes na Amazônia é sistemas
sustentáveis de uso da terra que combinam, de maneira simultânea ou em
sequência, a produção de cultivos agrícolas com plantações de árvores
frutíferas ou florestais e/ou animais, utilizando a mesma unidade de
terra e aplicando técnicas de manejo que são compatíveis com as práticas
culturais da população local, o SAFs.
A sustentabilidade é uma das principais características
presente aos sistemas agroflorestais o qual pode ser utilizado e
atenderá as necessidades produtivas do cacaueiro nativo. Ainda, a
implantação desse sistema, para boa parte da região amazônica, pode
atender ao mesmo tempo três funções:
- Social, pois viabiliza a fixação do homem no campo,
pelo aumento da mão de obra ao aumento ao longo de dono ano, isto
proporcionado pela não sazonalidade do sistema;
-
Ecológica, promovida pelas práticas conservacionistas e manutenção da
diversidade local, incluindo ainda, algumas outras espécies vegetais e
ou animais;
- Econômica, pela produtividade do
sistema ao longo de todo anos ano.
Kamilla Andrade de Oliveira
Eng.
Florestal e Mestranda em Ciências Florestais
Lamartine
Soares B. de Oliveira
Eng. Agrônomo, Mestre e
Doutorando em Ciências Florestais
soareslt@hotmail.com

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