A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
aprovou nesta quinta-feira (15) a liberação para cultivo comercial do
feijão geneticamente modificado (GM) resistente ao vírus do mosaico
dourado, pior inimigo da cultura no Brasil e na América do Sul.
Desenvolvido pela Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o feijão é a primeira
planta transgênica aprovada comercialmente totalmente produzida por
instituições públicas de pesquisa. Foram quase 10 anos de pesquisa em
parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Cenargen e
Embrapa Arroz e Feijão.
“Nos
testes de campo realizados, mesmo com muita presença da mosca branca,
inseto que transmite o vírus do mosaico, a planta transgênica não foi
infectada pela doença”, afirma Francisco Aragão, pesquisador do Cenargen
e um dos responsáveis pelo projeto.
O feijão é uma cultura de extrema
relevância social, especialmente na América Latina e na África, sendo a
leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de
pessoas. No Brasil, é a principal fonte vegetal de proteínas e de ferro
e, associado ao arroz, resulta em uma mistura ainda mais nutritiva.
A produção mundial de feijão é de
mais de 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar nesse
ranking e a planta é produzida principalmente por pequenos agricultores,
com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com
menos de 100 hectares. Uma vez que o vírus do mosaico dourado atinge a
plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na
produção. Segundo estimativas da Embrapa Arroz e Feijão, os danos
causados pela doença seriam suficientes para alimentar até 10 milhões de
pessoas.
O feijão
transgênico apresentou vantagens econômicas e ambientais, a exemplo da
diminuição das perdas, a garantia das colheitas e a redução da aplicação
de defensivos. Com a aprovação, as sementes transgênicas serão
multiplicadas e devem chegar ao mercado em dois ou três anos.
“Todas as análises de segurança
foram realizadas e o feijão geneticamente modificado é tão ou mais
seguro que as variedades convencionais, tanto para o consumo humano
quanto para o meio ambiente”, ressalta Aragão.
Nova tecnologia
Os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, Francisco Aragão, e da Embrapa Arroz e Feijão, Josias
Faria, utilizaram quatro estratégias de transformação genética.
Em linhas gerais, eles modificaram
geneticamente a planta para que ela produzisse pequenos fragmentos de
RNA responsáveis pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus
do mosaico dourado, devastador à lavoura. "Mimetizamos o sistema
natural", diz Francisco Aragão.
Além disso, os fragmentos de RNA podem causar resistência
a várias estirpes do mesmo vírus.
Carlos Lima
Assessoria de Comunicação
carlos.lima@perspectivabrasil.com.br


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