Pesquisadores da Embrapa Roraima (Boa Vista, RR)
realizaram um diagnóstico rápido-participativo em 49 propriedades na
região periurbana que cultivam hortaliças e mantém pequenas criações.
Isso permitiu identificar as principais dificuldades dos agricultores,
relacionadas à mão de obra, comercialização, orientação técnica, custo
de insumos, controle de pragas e doenças e aquisição de esterco.
Com base nesses dados, foi
delineado o projeto “Tecnologias de manejo agroecológico em pequenas
propriedades do entorno de Boa Vista”, com o objetivo de viabilizar o
manejo agroecológico em 6 propriedades selecionadas.
Kátia Nechet, pesquisadora da
Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), da equipe do projeto, explica
que a maioria utiliza o sistema convencional e uns poucos estão
associados a uma cooperativa que desenvolve atividades na linha
orgânica.
Conforme a
pesquisadora, a produção agrícola brasileira é a cada dia mais demandada
a oferecer produtos de qualidade e que tenha um sistema de produção que
respeite o meio ambiente. Seguindo essa tendência, várias linhas de
agriculturas alternativas surgiram ao longo do tempo com nomes e
características próprias.
Dentre
essas linhas, a Agroecologia segue uma filosofia de maximizar a
produção levando em consideração as influências de aspectos
socioculturais, políticos, econômicos e ecológicos no âmbito do sistema
alimentar e do desenvolvimento rural.
“A estratégia metodológica foi a de pesquisa
participativa, baseada no princípio de que as atividades foram decididas
em conjunto e discutidas ao longo do período de execução do projeto por
meio de workshops com produtores, técnicos e pesquisadores que
identificaram as dificuldades encontradas no projeto e planejaram as
ações futuras”, explica a pesquisadora.
O objetivo foi implantar nas áreas selecionadas práticas
agroecológicas para que sirvam de modelo a outros proprietários
melhorando a qualidade das hortaliças ofertadas ao consumidor e a
qualidade de vida do produtor e da comunidade do entorno.
Com duração de 3 anos, o projeto já
apresentou alguns resultados, como o monitoramento dos principais
problemas relacionados ao manejo do solo, pragas e doenças nas
propriedades selecionadas, elaboração de guias de identificação das
principais doenças e pragas dos cultivos, elaboração de um guia de
identificação de inimigos naturais de insetos-praga, substituição da
queima da palha de arroz em canteiros por rotação de culturas com
leguminosas, uso de compostagem, indicação de produtos alternativos para
o controle de piolhos em galinhas coloniais, uso de refugo de
hortaliças como complementação alimentar de galinhas coloniais,
divulgação de práticas agroecológicas para alunos do ensino fundamental
em escolas próximas às hortas de atuação do projeto, além de instalação
de uma fossa séptica biodigestora como alternativa de saneamento no meio
rural.
O projeto, com o
apoio financeiro do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae-RR), possui uma equipe multidisciplinar composta de
pesquisadores e técnicos nas áreas de solos, fitopatologia, entomologia,
irrigação, microbiologia do solo e medicina veterinária.
Foto: Kátia Nechet/Embrapa
Meio Ambiente
Cristina Tordin
Embrapa Meio Ambiente
(19) 3311-2608
cris@cnpma.embrapa.br

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