O deputado federal Edio Lopes (PMDB/RR) participou ontem (26/09) da gravação do programa “Palavra Aberta” da TV Câmara, onde apresentou argumentos de que Roraima estaria sendo alvo de biopirataria, e que isto teria como objetivo inviabilizar o desenvolvimento da fruticultura local. O parlamentar lembrou do caso da vassoura-de-bruxa na Bahia, que devastou o sul daquele estado no início dos anos 90, e após investigações da Polícia Federal comprovou-se os indícios de disseminação proposital.
Segundo Edio Lopes, pelas peculiaridades climáticas e também pela riqueza do solo, Roraima demonstrou um grande potencial no setor de fruticultura e citrus. Já havia uma tecnologia de produção em desenvolvimento. A agricultura neste setor vinha se organizando e criando um cenário com grandes expectativas de crescimento. Mas de forma inusitada, em um espaço de 18 meses, vários fatores externos contribuíram para a crise neste setor.
O primeiro caso foi o “ácaro vermelho” na produção de banana, no sul do estado, que impediu a exportação desta fruta para outros estados, principalmente ao Amazonas. Logo em seguida surgiu a “mosca da carambola”, que prejudicou a colheita de vários produtos. E recentemente o mais grave, a existência comprovada da “cochonilha rosada”. Este inseto que é oriundo da Índia, é considerado a pior das pragas, pois se espalha em praticamente todos os frutos.
“É por este motivo que levantamos esta suspeita de biopirataria, visto que os fatores externos citados são totalmente fora do contexto regional agrícola, e a existência destes insetos e fungos que surgiram num curto espaço de tempo vão de encontro ao já reconhecido potencial do setor de fruticultura na região. Por isso que lembramos do caso da vassoura-de-bruxa na Bahia, porque hoje há esta certeza de que houve uma ação proposital para prejudicar os produtores de cacau naquele estado”, ressaltou Edio Lopes.
Sobre a vassoura-de-bruxa na Bahia, o deputado apresentou dados que reforçam toda esta preocupação com o que está acontecendo em Roraima. No ano de 2006, a Polícia Federal abriu uma investigação sobre a denúncia de que o cacau na Bahia foi alvo de sabotagem.
Segundo reportagem da Revista Veja daquele ano, o técnico em administração Luiz Henrique Franco Timóteo em depoimento a Polícia Federal confirmou ter sido um dos responsáveis pela disseminação proposital da praga conhecida como vassoura-de-bruxa no final dos anos 80, onde o Brasil era o segundo maior produtor do mundo de cacau.
Conforme consta no inquérito 2-169/2006-DPF, Franco Timóteo confirmou que agiu em conjunto com cinco funcionários da Ceplac, o órgão do Ministério da Agricultura responsável pelo cacau. Eles decidiram sabotar as plantações do sul da Bahia para acabar com o poder político e econômico dos barões do cacau. Os ramos infectados eram colhidos em Rondônia, onde a praga é endêmica e levados para Bahia, onde a doença espalhou-se de forma incontrolável e dizimou as plantações baianas.
Especialistas como o então chefe do Departamento de Genética da Universidade Estadual de Campinas, Gonçalo Guimarães Pereira e da bióloga Maricília Arruda, da Universidade de Brasília não discordaram do argumento de que havia indícios dos fungos encontrado terem sua origem da Amazônia, o que reforçava esta tese de sabotagem nas lavouras baianas.
Em 2010, a Polícia Federal emitiu um relatório final sobre o caso, subscrito pela delegada Denise Dias de Oliveira Cavalcante, e que concluiu que a introdução e a disseminação da praga foi um ato humano deliberado, ou seja, foi crime.
O parlamentar roraimense reforçou que foi levando em conta todo este contexto, que a bancada do estado se mobilizou e solicitou a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) uma investigação sobre esta suspeita de biopirataria em Roraima.
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