quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Plano visa reduzir desmatamento em Roraima

Ao aproveitar o posicionamento relativamente positivo de Roraima, de ser um dos estados que menos desmatam na Amazônia Legal, o governo realizou uma consulta pública para ouvir o que o setor produtivo e a sociedade civil têm a contribuir para a elaboração de um Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Estado de Roraima (PPCDQ/RR). Se aprovado, as ações que compõem o projeto devem entrar em vigor a partir de 2012. 


Segundo dados recentes informados pelo Ibama,  em 2010 o desmatamento em Roraima foi de 256 quilômetros quadrados, que representou queda de 3,66% em comparação ao período anterior. No estudo divulgado no início deste mês pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento havia caído para 120 quilômetros quadrados, o que representou uma diminuição de mais de 50%.


Para Juliana Simões, gerente de políticas públicas para prevenção de controle do desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Estado vive um momento propício para a implantação de ações preventivas para que não chegue à situação de estados que desmataram quase todos seus recursos e com isso não obtiveram um desenvolvimento econômico. “É preciso que o governo se antecipe e não deixe chegar a situações tão dramáticas. A ideia é que com esse plano, o Estado passe a prevenir o desmatamento e caminhe rumo a um desenvolvimento sustentável e a uma economia verde”, frisou.


Simões citou que a pecuária – tida como vilã na questão ambiental devido à devastação para criação de pastos – e a agricultura precisam ser transformadas em produções mais mecanizadas, com mais tecnologia, para ampliar a produção do estado na área que já está degradada, sem precisar abrir novas áreas. “Além disso, é importante se falar em práticas agrícolas que não agridam o meio ambiente, principalmente no que diz respeito à redução no uso do fogo”, disse.


O presidente em exercício da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), Wagner Severo, explicou que o plano está pautado em três eixos temáticos com ações específicas para cada área definida: o ordenamento territorial, por meio de zoneamento identificando as áreas mais propícias ao desenvolvimento do setor produtivo; o controle ambiental, por meio de ações de licenciamento e gestão ambiental; e o incentivo à produção sustentável. “O objetivo é trazer um modelo de desenvolvimento sustentável para o Estado em que o poder público não seja a figura principal, mas que todos os atores colaborem”, salientou.


Ele salientou a necessidade da mudança do foco dos órgãos ambientais em função da política de repressão dos órgãos ambientais nos três níveis de poder, federal, estadual e municipal, e inverter as ações para o monitoramento e prevenção, tornando o produtor um aliado nas políticas de fomento, licenciamento e monitoramento para que se obtenha um diagnóstico preciso para futuras intervenções.


A partir da consulta serão reunidas todas as sugestões de produtores e da sociedade como um todo e analisadas para a elaboração do projeto. O plano vai servir de instrumento para a elaboração de políticas públicas, nas quais serão adotados mecanismos específicos para cumprir as metas previstas. “A previsão é que, se o plano for aprovado, as ações comecem a ser implantadas a partir do ano que vem, com projetos específicos”, disse.


O PPCD-RR abordará em seu diagnóstico as causas e efeitos do desmatamento e das queimadas em Roraima, bem como pretende recepcionar em suas diretrizes as orientações de três outros planos federais, que são o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), o Plano Amazônia Sustentável (PAS) e o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).

Governo entrega 500 toneladas de calcário em Rorainópolis


Visando contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar em todo o estado, o Governo de Roraima entrega nesta quinta-feira (15), de 500 toneladas de calcário para pequenos produtores rurais do município de Rorainópolis.

O insumo será entregue diretamente nas propriedades rurais que foram cadastradas previamente pelos técnicos da Seapa (Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Um comboio com 50 caminhões, cada um transportando 10 toneladas de calcário sairá do porto de Caracarai na manhã desta quinta-feira, com destino a Rorainópolis onde o insumo será entregue aos agricultores.

Em 2011 o Governo adquiriu 25 mil toneladas de calcário para atender a agricultura familiar e em larga escala. O produto vai atender a todas as regiões do estado. Cerca de 10 mil famílias serão beneficiadas com o calcário que é o principal insumo para a correção do solo. O calcário para atender a agricultura familiar será subsidiado 100% pelo Governo.

O calcário veio da cidade de Itaituba no Pará e navegou mais de 20 dias pelos rios Tapajós, Amazonas, Negro e Branco até chegar a Caracarai. A empresa que vendeu o produto tem o prazo até o mês de dezembro para entregar o restante do calcário.

O insumo foi comprado por meio de registro de preço no valor de aproximadamente R$ 5 milhões. O calcário que chega em pedra será moído e entregue nas Casas do Produtor Rural (CPRs), que fará a seleção e distribuição do insumo priorizando os produtores que já detém áreas destocadas ou preparadas para o plantio. 

O secretário de Agricultura, Rodolfo Pereira informou que o insumo está chegando a todas as regiões do estado como forma de preparar o plantio para a próxima safra de 2012.  “O calcário é o principal insumo para a agricultura em Roraima, visto que nossas terras precisam de correção do solo.Vamos atender a todos os produtores para que eles tenham tempo para o plantio da próxima safra”, explicou.

PRODUÇÃO EM LARGA ESCALA - Os grandes produtores de grãos também terão subsídios do Governo do Estado para o preparo da safra 2012. Os incentivos serão oferecidos por meio da Lei Estadual nº 215, que prevê o subsidio de 50% no valor da tonelada do calcário.

A aquisição antecipada do calcário vai possibilitar tanto aos agricultores familiares e em grande escala a se antecipar no preparo da terra para a safra de 2012. A expectativa com este planejamento visa aumentar gradativamente a área de grãos plantada em Roraima.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Incra fixa regras para aquisição de imóvel rural por estrangeiros


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) regulamentou, por instrução normativa, o procedimento de aquisição de imóvel rural por estrangeiro residente no país e pessoa jurídica estrangeira autorizada a funcionar no Brasil. A norma foi publicada dia 09/12/2011 no Diário Oficial da União.

Segundo Evandro Cardoso, coordenador-geral de Cadastro Rural do Incra, o instrumento esclarece alguns aspectos no processo de aquisição de imóvel rural por estrangeiro.

O Incra poderá obter informações mais consistentes no que diz respeito à identificação, quantitativo, localização e destinação de terras rurais no país, sob domínio estrangeiro. E o estrangeiro, por sua vez, terá mais orientação sobre o cumprimento das formalidades legais exigidas para aquisição ou arrendamento de imóvel rural no país.

Segundo Cardoso, o Incra terá também um controle regional mais eficaz, tornando mais uniforme a atuação das 30 superintendências do instituto espalhadas pelo país.

A venda de terras brasileiras a estrangeiros ou a empresas brasileiras controladas por estrangeiros recebeu nova interpretação em 2008, por meio de um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que impôs limites à venda e tornou a regulamentação mais compatível com a atual realidade da estrutura fundiária nacional.

Com a medida, o governo brasileiro considerou as alterações no contexto social e econômico do país, bem como aspectos como a valorização das commodities agrícolas, a crise mundial de alimentos e o desenvolvimento do biocombustível.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Governo do Estado firma novo convênio para compra de alimentos

O Governo de Roraima firmou mais um convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), no valor de R$ 3 milhões para continuidade do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura (PAA) em Roraima.

O PAA foi criado para combater a fome e distribuir renda para o pequeno produtor rural. Os alimentos comprados pelo programa são adquiridos diretamente de agricultores familiares ou de suas organizações (cooperativas e associações), dispensada a licitação, desde que os preços sejam compatíveis com os praticados nos mercados locais e regionais. Cada produtor pode vender para o governo até R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) por ano.

“Aqui em Roraima o programa vem complementar as ações do Governo do Estado por meio da  assistência técnica, doação de insumos e equipamentos. O PAA fecha a cadeia de ações comprando a produção dos agricultores”, afirmou o secretário de Agricultura, Rodolfo Pereira.

Os alimentos adquiridos são destinados às escolas e creches, presídios e associações entre outras instituições.

Para ter acesso ao programa o pequeno produtor deve procurar uma das 32 Casas do Produtor Rural (CPR’s) em cada município. “Nas CPR’s o pequeno produtor será orientado pelos técnicos, onde deverá apresentar a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e documentos pessoais para ser beneficiado com o programa”, informou Pereira.  

PROGRAMA - O PAA tem como objetivo erradicar a miséria no campo. Ele contribui para a segurança alimentar e nutricional de pessoas atendidas pela rede de equipamentos públicos de alimentação e nutrição (restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos) e pela rede sócio assistencial, além de promover a inclusão econômica e social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

 Desde 2003, o PAA já investiu mais de R$ 3,5 bilhões na aquisição de 3,1 milhões de toneladas de alimentos de cerca de 160 mil agricultores por ano. Os produtos abastecem anualmente 25 mil entidades. Para 2011, o orçamento do programa foi de R$ 640 milhões. 

Deputados ruralistas reagem ao teor do Código Florestal aprovado no Senado e sinalizam resistências


Vencida a etapa de aprovação no Senado, o projeto do novo Código Florestal pode agora enfrentar resistência na Câmara dos Deputados. Apesar das negociações promovidas pela presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO), e pelo relator da matéria, senador Jorge Viana (PT-AC), com a bancada ruralista da Câmara, o texto que foi aprovado ontem (6) não foi bem recebido por um dos representantes da bancada ruralista na Casa, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

“É uma homenagem do suicídio do produtor rural”, declarou Caiado. O deputado acha que as exigências de regularização ambiental, que estão no substitutivo aprovado ontem no Senado, custarão muito caro aos produtores rurais.

Ele alega que o custo não será apenas o do reflorestamento, mas também o da contratação de profissionais que fazem laudo técnico para atestar a regularidade ambiental da propriedade. Além disso, Caiado queixou-se do trecho da proposta aprovada que impedirá os produtores irregulares de conseguir crédito. “O texto do Senado é claro. Em dois anos, 5,2 milhões de propriedades terão de estar incluídas no plano de regularização ambiental. Senão, estarão bloqueadas, no final do quinto ano, de qualquer crédito rural”, analisou.

Mas, apesar de Caiado defender o texto elaborado inicialmente na Câmara dos Deputados, antes da votação pelo Senado, a senadora Kátia Abreu acredita que a maioria dos ruralistas irá votar a favor do substitutivo do senador Jorge Viana.

“Alguns deputados não estão 100% satisfeitos, mas acredito que a maior parte [da bancada ruralista] irá aprovar [o texto do Senado]”, estimou a senadora. Para ela, o maior progresso que os produtores rurais vão conseguir é aprovar a reforma do código, que está em debate há 15 anos.

Na mesma linha, o relator também está confiante no diálogo que travou nos últimos meses com deputados. Na opinião dele, a Câmara terá um texto equilibrado para analisar. “Como nós estabelecemos um diálogo, acredito que a Câmara tem agora um projeto que é bom para o Brasil”, declarou Jorge Viana.

O substitutivo do código florestal poderá ser rejeitado integral ou parcialmente pelos deputados. Ele pode ainda ser acatado totalmente, da forma como foi enviado pelo Senado. Viana espera que isso seja feito “o mais rápido possível”. Em seguida, o projeto seguirá para sanção presidencial.