sábado, 22 de outubro de 2011

Dep Aldo Rebelo explica repercussão sobre o novo Código Florestal

Em palestra realizada em Porto Alegre  nesta quinta-feira (19), no encontro das Mulheres Trabalhadoras Rurais e Urbanas da CTB, o Deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do novo Código Florestal, fez revelações estarrecedoras a respeito do lobby mundial com o objetivo de prejudicar o futuro da agricultura brasileira, com o tema “Código Florestal e Desenvolvimento Nacional”.

"Acabamos há pouco tempo de modificar o Código Penal, passamos por Reformas Tributárias, que é algo muito sensível, por envolver quem paga ou não impostos no Brasil. E nenhuma dessas leis teve a repercussão do debate sobre o Código Florestal. Até artistas da TV Globo e celebridades estão em Brasília pressionando para que não mude o Código Florestal, o que demonstra como esse assunto mexe com interesses. Por que ele se tornou um divisor de águas tão importante?", questionou o deputado. "Porque muito mais do que definir mata ciliar, reserva legal, esse Código Florestal está definindo se o Brasil tem autonomia para usar o seu território e as suas reservas naturais e os seus recursos hídricos em benefício do seu povo. Ou se o ouso desse bem nacional vai estar subordinado aos interesses externos, daqueles que concorrem com o Brasil na produção de alimentos, que concorrem na produção de minérios e daqueles que concorrem com o Brasil no comércio internacional agrícola".


Aldo Rebelo informou que, no trajeto para Porto Alegre, leu nos jornais que o Congresso dos Estados Unidos havia liberado subsídios para a sua agricultura. “O agricultor norte-americano se tornou um funcionário público. A renda dele não depende do que plantou, mas do Tesouro dos EUA, que paga pelo que ele produz.”


"O Brasil incomoda muito, porque é um grande produtor de soja, carne bovina, suína, de frango e concorre com produtores internacionais. O país que produz alimentos é uma potência muito mais respeitada do que aquele que tem os seus quartéis cheios de armas. O mundo já passou por muitas fomes. O país que não é produtor de alimentos, pode ter a riqueza que tiver, mas não será uma potência".


Como exemplo, Aldo lembrou que durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto Londres era bombardeada pelos alemães, a Marinha da Inglaterra estava na Atlântico Sul dando proteção aos navios argentinos que embarcavam alimentos para a Europa.


"A produção de alimentos não é importante apenas para o Brasil, mas para todo o mundo. Hoje, somos o quarto país produtor do mundo, mas seremos o primeiro. E o Código Florestal foi uma forma que encontraram de travar uma guerra contra a agricultura brasileira, inviabilizando áreas das mais nobres para a produção, criando tributos contra o produtor do país, porque confiscam parte das suas áreas mais nobres para a produção. Não há nenhum país do mundo que tenha reserva legal na propriedade. Nenhum! Será que todos os países do mundo são inimigos do meio ambiente? Não são. Mas nenhum deles criou a reserva legal na propriedade. No entanto, exigem que haja uma reserva legal de 80% da Amazônia. E por que exigem isso? Porque nenhuma legislação do mundo tratou disso. Só aqui no Brasil. O estado do Amapá tem 79% seu território ocupado por parques nacionais. Resta cerca de 21% para produzir alimentos. Roraima tem 68% de áreas públicas. Como podem nos acusar de não cuidar do nosso meio ambiente?",  cobrou Aldo Rebelo.


"O meio ambiente é importante para o bem estar material e espiritual da sociedade. Não temos dúvida disso porque somos o país que mais protege o meio ambiente no mundo. Mas o Brasil tem uma grande responsabilidade e o governo e a população precisam ter consciência da necessidade de defender a agricultura e a produção de alimentos do país. Ninguém pode brincar com isso, não. A única coisa que as pessoas compram todo o dia é comida. O que pesa no bolso do pobre é a comida. É onde ele gasta a maior parte do que ganha. E isso é uma coisa muito séria. Moradores do Jardim Paulista, da Vieira Souto, artistas da Rede Globo podem brincar com isso. Mas o governo e o Congresso, não".

Fonte: Emanuel de Mattos - CTB-RS

Nenhum comentário:

Postar um comentário