terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pragas castigaram a agricultura de Roraima no ano passado

Um fato que marcou agricultura em Roraima em 2011 foi a descoberta da praga cochonilha rosada do hibisco (Maconellicoccus hirsutus), até então, sem registro no Brasil. Como medida para prevenir a disseminação dessa praga, considerada de grande potencial nocivo para agricultura, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, em agosto, Instrução Normativa restringindo a saída de mudas e de demais materiais de propagação, exceto sementes e material in vitro, de qualquer espécie vegetal de Roraima para outros estados.

A praga foi detectada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em mudas de Papoula (Hibisco) nos municípios de Normandia, Bonfim e Pacaraima.  A norma decretava que todos os frutos de abacate, amora, banana, cacau, café, caqui, mamão, maracujá, pimentas e pimentões, quiabo, uva, bem como qualquer fruto da plantas do gênero Spondias spp. (cajá, umbú, ciriguela etc) ou plantas da família das anonáceas (graviola, fruta-do-conde etc), das cucurbitáceas (abóbora, pepino, melancia, etc.) e das mirtáceas (pitanga, goiaba, jabuticaba etc.) provenientes do Estado só poderiam transitar para outros estados após inspeção de partida e emissão da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV).


Constatada a presença da cochonilha rosada no Estado, a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) adotou algumas medidas como objetivo de conter a praga. Uma delas era de que os produtores que transportam mudas para outros estados, mesmo que em pequenas quantidades, deveriam procurar a Aderr para que fosse feito inspeção e posterior liberação da carga com a Permissão de PTV.

Segundo a diretora de defesa vegetal da Aderr, Marta Mota Henchen, a cochonilha rosada não causou prejuízos econômicos ao Estado em função da maioria dos seus hospedeiros, atingirem também hospedeiros do ácaro vermelho, que vem sendo monitorado constantemente e está sob controle.


Antes da cochonilha rosada, Roraima já estava em estado de alerta por causa de outras pragas como: ácaro vermelho, ácaro hindu dos citros e a mosca da carambola. Elas constituem pragas quarentenárias, que estando presente em outros países ou regiões, mesmo sob controle permanente, constitui ameaça à economia agrícola do país ou região importadora exposta.

2010 - A mosca da carambola, uma praga exótica que atinge os frutos, entrou em Roraima. O hospedeiro foi encontrado no município de Normandia, no dia 20 de dezembro, vindo da Guiana. Na época, o município foi isolado e as exportações de frutas, proibidas.

Diferente da cochonilha rosada, a mosca da carambola causou prejuízo econômico razoável para o Estado, já que atingiu principalmente a cultura da manga, uma das mais exportada para o Amazonas. “Há um ano que não temos registro de foco da mosca da carambola. Se tudo der certo, ano que vem já começaremos exportar as culturas novamente”, informou.

A quantidade de pragas que entra em Roraima está relacionada com o fato de o estado estar situado numa região de fronteira, próximo a países que não têm um sistema de defesa agropecuário fortalecido.


Cochonilha - A cochonilha-rosada (Maconellicoccus hirsutus) é uma praga de importância quarentenária, e é facilmente disseminada pelo vento, pela chuva, por meio de pássaros, formigas, roupas e veículos. Foi detectada na Guiana.
A doença ataca mais de 200 espécies de plantas, muitas delas de importância para o Brasil, incluindo: feijão, citros, coco, café, algodão, milho, pepino, uva, goiaba, amendoim, abóbora, graviola, roseira, cacau e as ornamentais do gênero Hibiscus. Esta praga já está estabelecida na África Central e Norte, Índia, Paquistão, Norte da Austrália e Sudeste da Ásia.

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