sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Estados da Amazônia são porta de entrada para pragas no Brasil

A fragilidade das barreiras sanitárias e os maus hábitos de pessoas que transportam espécies vegetais sem o mínimo controle sanitário fazem da Amazônia a porta de entrada para inúmeras pragas quarentenárias que, nas últimas duas décadas, vem ameaçando as produções de laranja, banana e açaí, que são as principais culturas do Amazonas.

 De acordo com o engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia e professor titular da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Néliton Marques da Silva, desde a década de 1990 os produtores rurais do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá convivem com o drama de ter plantações inteiras dizimadas pelas pragas.

E essas pragas continuam entrando no país pela fronteira com países como a Guiana Inglesa, Suriname, Venezuela, Colômbia e Peru e ameaçando não apenas a produção rural do Amazonas, como dos estados vizinhos.

“São pragas que não são originárias do Brasil, mas entram pela fronteira com esses países por conta da fragilidade das barreiras sanitárias e o costume de transportar vegetais sem essa preocupação. O homem é o maior disseminador dessas pragas, afinal, elas não voam”, explicou Marques.

As ameaças representadas por insetos e ácaros à produção agrícola da Amazônia e alternativas para a construção de um modelo de produção sustentável na região estão entre os temas que devem ser debatidos durante os três dias do I Seminário de Entomologia e Acarologia Agrícola na Amazônia (SEAMA), que acontece entre amanhã e sexta-feira, em Manaus.

DISSEMINAÇÃO - A cigatoga negra, que dizimou plantações de banana no Amazonas na década de 1990, a mosca negra, que destruiu cultivos de laranja em todo o Estado em 2004 depois de ser introduzida no Pará, pela fronteira com o Suriname e o ácaro da falsa ferrugem, que também ataca laranjeiras, são alguns exemplos de pragas que se espalharam pela Amazônia, oriunda dos nossos vizinhos latinos, citados pelo pesquisador.

“E pesquisas identificaram uma infinidade de outras pragas na fronteira brasileira com esses países, que podem entrar em nosso país a qualquer momento, se não forem tomadas as medidas sanitárias adequadas. No mês passado, por exemplo, foi a vez do ácaro vermelho entrar no Amazonas e colocar em risco as plantações de banana, açaí, pupunha, côco e até palmeiras ornamentais”, informou.

Marques explicou que a entrada do ácaro vermelho no Brasil, que ocorreu pela fronteira de Roraima com a Guiana inglesa, passando, em seguida, ao Amazonas, preocupa os especialistas e, principalmente, os produtores rurais do Estado, uma vez que ainda não existe, no Brasil, agrotóxicos para combater essa praga.

AMEAÇA - Hoje, a produção rural não apenas dos municípios que ficam na fronteira com países latino americanos como de outras regiões da Amazônia estão ameaçados por algum tipo de praga. No Amazonas, a fronteira com a Venezuela, Colômbia e Peru e também nossos maiores produtores de laranja – Manacapuru e Rio Preto da Eva – estão em áreas de incidência de pragas, informou o pesquisador.

E as pragas mais severas que atacam as culturas do Amazonas, segundo Marques, são a mosca negra e o ácaro da falsa ferrugem. Ambas as pragas têm como principal “alvo” as plantações de laranja. “A mosca negra causou e continua causando sérios danos a produtores de laranja de Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e até Manaus, mesmo alvo do ácaro da falsa ferrugem.”

PLANTAS X AGROTÓXICOS - A grande – e severa – incidência de pragas nas propriedades rurais da Amazônia e a falta de conhecimento sobre o controle delas faz com que os produtores optem pelo uso, ás vezes exagerado, de produtos químicos, como os agrotóxicos.

Segundo o professor Neliton Marques, 92% dos pequenos e médios produtores rurais do Amazonas utilizam agrotóxicos em suas plantações. Esse número se torna ainda mais preocupante se considerarmos que os pequenos e médios produtores correspondem a 95% do total, no Estado, alertou Marques.

“Com o ataque das pragas, o produtor se vê obrigado a usar os agrotóxicos, que são nocivos ao solo e ao meio ambiente, de forma geral. Mas hoje já temos pesquisas que comprovam a eficiência de plantas do bioma amazônico que podem substituir esses produtos químicos, acabando com as pragas sem afetar o solo”, disse.

O uso de plantas inseticidas no combate às pragas, como alternativa aos agrotóxicos, deve ser um dos tópicos de discussão durante os três dias do 1º SEAMA, detalhou Marques. Desde a tradicional andiroba até o exótico nim, as várias espécies de pimenta longa, o timbó e o mapatasto - plantas abundantes e de fácil acesso aos produtores do interior -, todas devem ter os benefícios discutidos no evento, para, depois, serem disseminados entre os produtores rurais.

Fonte: A Crítica

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Comissão aprova com artigo que beneficia Roraima

A Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira, 23, o relatório do senador Jorge Viana (PT/AC) para o projeto de lei 030/11, que trata do Novo Código Florestal Brasileiro. Entre as alterações incluídas pelo relator no projeto já aprovado na Câmara, consta a redução da reserva legal de 80% para 50% nos estados da Amazônia Legal que já tenham mais de 65% de seus territórios em unidades de conservação de domínio público e terras indígenas.


Jorge Viana fez questão de ressaltar que a emenda determinando a redução da área de reserva legal nos estados da Amazônia já dotados de grandes unidades de conservação e terras indígenas foi incluída para atender pedido da senadora Ângela Portela. A medida foi negociada com o Governo Federal e com a bancada governista no Senado e não gerou questionamentos durante a votação na Comissão de Meio Ambiente. Com a aprovação do relatório, a Comissão de Meio Ambiente analisa nesta quinta-feira os destaques apresentados para votação em separado e, em seguida, o projeto segue para o Plenário do Senado Federal.


O relatório de Jorge Viana diz que a situação de estados inseridos na Amazônia Legal, cujos territórios são significativamente abrangidos por unidades de conservação e terras indígenas, também foi levada em consideração na sua Emenda Substitutiva Global. “Para tanto, inseriu-se o parágrafo 5º no artigo 12, de modo a permitir que a Reserva Legal seja fixada em 50% (cinquenta por cento) quando mais de 65% (sessenta e cinco por cento) do território do Estado estiver atrelado àquelas áreas públicas protegidas. Trata-se de dispositivo inspirado em sugestão da Senadora Ângela Portela, do Estado de Roraima”, destacou o relator.


“Esta nossa sugestão foi negociada com o relator Jorge Viana e com a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira. Promovemos reuniões entre os representantes do setor produtivo de Roraima e os técnicos do Ministério por entendermos que, da forma como estava proposto, o Novo Código Florestal constituiria mais um obstáculo ao desenvolvimento de Roraima, que já tem mais de 65% do seu território comprometido com terras indígenas e unidades de conservação federais e estaduais”, diz a senadora roraimense.


Segundo o relatório de Jorge Viana para o Novo Código Florestal, os imóveis localizados na Amazônia Legal devem manter uma área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal. Esta Reserva Legal deve ser de 80% do imóvel localizado em área de floresta (a área desmatada não pode superar os 20% da propriedade), 35% em cerrado e 20% nos campos gerais.


A proposta sugerida por Ângela Portela e incluída no relatório de Jorge Viana diz que, nos imóveis localizados em áreas de floresta na Amazônia Legal, a Reserva Legal poderá ser reduzida para até 50% da propriedade quando o Estado em que está situada tiver mais de 65% do seu território ocupado por unidades de conservação da natureza de domínio público e terras indígenas homologadas. A mesma regra valerá para os municípios com mais de 50% de sua área total constituída de unidades de conservação ou terras indígenas. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, esta regra só seria aplicada aos Estados de Amapá e Roraima, que superam este limite de 65%.

PRESERVAÇÃO - “Com esta proposta, estamos assegurando ao Estado de Roraima o direito de desenvolver atividades agropecuárias sem afrontar a legislação ambiental. Nas demais regiões do país, a Reserva Legal obrigatória é de apenas 20% da propriedade. Na Amazônia, continuará sendo de 80%, exceto nos estados que já tiveram significativas parcelas de seus territórios destinadas às unidades de conservação e terras indígenas. Felizmente, conseguimos construir junto ao Governo Federal este entendimento de que estados como Roraima apresentam situação bastante peculiar, com mais de 65% de seu território integralmente protegido”, afirma a senadora.


Ângela Portela fez questão de ressaltar que esta proposta é fruto de acordo intermediado por ela entre representantes do setor produtivo de Roraima e o Ministério do Meio Ambiente, com apoio do relator Jorge Viana. “A inclusão desta proposta no relatório final do senador Jorge Viana é uma grande vitória para Roraima. Com isso, preservamos o potencial de desenvolvimento do nosso Estado, sem que implique em ameaça ao meio ambiente”.
Segurança jurídica


Para a senadora, o fato de alguns estados, como é o caso de Roraima, já terem mais de 65% de seus territórios reservados para unidades de conservação e terras indígenas ressalta o compromisso com a preservação. “A parcela do Estado de Roraima que pode, efetivamente, ser destinada à exploração econômica representa cerca de 10% da área territorial. Mesmo que estes imóveis rurais utilizem até o limite de 50%, não haverá impacto significativo para o meio ambiente e os produtores poderão trabalhar dentro da legalidade”.


A parlamentar ressalta ainda que, mesmo que seja autorizada a manutenção de 50% de Reserva Legal nestes estados, a supressão da vegetação nativa não se dará de forma indiscriminada. “Defendemos a implantação de projetos de desenvolvimento sustentável, com base na vocação de cada região, estabelecida no Zoneamento Ecológico-Econômico, e que os órgãos federais e estaduais responsáveis pelas políticas de meio ambiente promovam a qualificação dos produtores para que atuem de acordo com a legislação e as boas práticas ambientais”.

domingo, 6 de novembro de 2011

Vigiagro fiscaliza fronteiras, portos e aeroportos

Objetivo é evitar a entrada de pragas e doenças e garantir a sanidade animal e vegetal da produção agrícola brasileira

O Sistema de Vigilância Internacional (Vigiagro), ligado à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura (Mapa), atua em todas as dez fronteiras brasileiras com outros países, aduanas especiais, além de portos e aeroportos. A função dos agentes é fiscalizar todo e qualquer produto agropecuário que entra e sai do Brasil, como frutas, carnes, peixes, grãos, plantas e queijos.

Hoje, o Brasil possui 106 unidades do Vigiagro distribuídas em pontos de trânsito internacional de produtos ou insumos agropecuários. São 28 unidades em portos, com a atuação de 150 servidores. Mais 24 postos de aduanas especiais, que compreendem as unidades da Receita Federal em regiões de fronteiras de interior, onde trabalham cerca de 360 pessoas. Nos aeroportos internacionais, 26 pontos contam com a atuação de 130 servidores. Além disso, em 28 unidades nos postos de fronteira atuam 150 agentes. 

O servidor do Ministério da Agricultura há mais de 35 anos e coordenador-geral do Vigiagro, Marcos Valadão, explica que o trabalho dos agentes é baseado na inspeção de mercadorias que ingressam e saem do Brasil. O objetivo é impedir a entrada de produtos que tragam risco à sanidade animal e vegetal brasileira e garantir que o nosso país exporta, na área agrícola, esteja em condições adequadas para entrada em outras nações. 

Aeroportos

“Principalmente nos aeroportos que recebem vôos internacionais, o trabalho de inspeção é muito intenso”, conta o coordenador do Vigiagro. Ele destaca que muitos passageiros não sabem que é proibida a entrada no Brasil, sem o devido certificado sanitário do país de origem, produtos como peixes (bacalhau, atum, etc), frutas (maçã, banana, etc), queijos de todos os tipos e carnes, como presunto parma. Além da verificação das bagagens, a atuação dos servidores do Vigiagro é também de orientação aos passageiros. 

Exportação

A inspeção dos produtos que saem do país também é operacionalizada pelos agentes do Vigiagro. “Utilizamos as informações de sistemas automatizados, instalados nos terminais alfandegados, o que imprime maior agilidade aos procedimentos, sem dispensar a segurança”, destaca Valadão.

Cães e gatos

Os servidores do Ministério da Agricultura também coordenam e prestam orientações sobre viagens com animais de companhia. O trabalho deles, nesse sentido, é baseado na operacionalização e verificação da documentação necessária para ingresso e saída desses animais. “A função dos nossos agentes está baseada em garantir a segurança alimentar do país, já que um simples animal ou um alimento inofensivo, como um queijo trazido de uma viagem internacional, pode trazer sérios danos à atividade agrícola no país”, finaliza o coordenador do Serviço de Vigilância Internacional do Ministério da Agricultura. (Sophia Gebrim)

 Fonte: Portal Dia de Campo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Seminário público sobre abelhas acontece no Inpa

O evento acontece sexta-feira (04), às 16h, no auditório da Coordenação de Entomologia (Cpen), Campus II, na Avenida André Araújo, 2936
O seminário público intitulado “A recuperação de grandes rodovias na Amazônia pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e seus prováveis impactos sobre adiversidade e conservação das abelhas das orquídeas”, ministrado pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Marcio Luiz de Oliveira, irá expor os resultados de estudos realizados em seu curso de pós-doutorado na Universidade Kansas (EUA).
Esse tipo de abelha é conhecida por ser polinizadora de outras plantas além das orquídeas, essencialmente florestais e sensíveis ao desmatamento. As rodovias estão entre as causas principais de desmatamento na Amazônia e, por esse motivo, as BRs 163, 230 e 319 serão estrategicamente analisadas.
O objetivo deste estudo foi mapear onde essas abelhas têm sido coletadas e analisar o cenário resultante em relação a essas três rodovias. Para tanto, as amostras de abelhas foram obtidas em diversas coleções sediadas no Brasil, em outros países etc. Em seguida foram georreferenciados e inseridos em mapas digitalizados da região onde as rodovias são localizadas.
De acordo com o ministrante, o seminário é direcionado às pessoas interessadas em questões conservacionistas, pesquisadores, estudantes e Institutos Ambientais.
Data
04/11/2011

Horário
16 horas

Organização
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)

Local
auditório da Coordenação de Entomologia (Cpen)

Endereço
Campus II, na Avenida André Araújo, 2936 - Manaus - AM

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Termina hoje período de vacinação contra aftosa

A segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa encerra no próximo dia 31. A expectativa da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) é vacinar 700 mil cabeças de bovinos no Estado. 

A primeira etapa foi realizada em abril deste ano e a intenção era atingir 80% do rebanho. Para esta segunda etapa a meta é vacinar 100% do rebanho. O diretor de Defesa Animal da Aderr, Sylvio Botelho, destacou que a vacina garante a qualidade sanitária do rebanho, evita prejuízos para a produção e para a economia do Estado, dá direito à expedição da Guia de Transporte Animal (GTA) e evita multas.

Após vacinar o rebanho, o pecuarista tem até o dia 16 de novembro para procurar o escritório da Aderr na região onde fica sua propriedade para registrar a vacina apresentando a nota fiscal. 

Neste momento é realizada também a estratificação do rebanho e de todas as outras espécies de animais que tem na propriedade rural, que será discriminada minuciosamente por espécie, idade e sexo. É feita uma atualização cadastral, fundamental para o sistema de defesa agropecuária. 

Como a vacina é obrigatória, a partir do dia 16 do próximo mês a Aderr inicia uma fiscalização nas propriedades rurais. O produtor que não vacinou ou que não comprovou a imunização será multado. “É importante o pecuarista se atentar para os prazos para evitar aborrecimentos”, destacou Botelho.  

MULTA - Os pecuaristas que não vacinarem o rebanho no prazo estarão sujeitos à multa no valor de R$ 919,88, mais R$ 51,92 por animal não vacinado. Os que não registrarem a vacinação estarão sujeitos à multa no valor de R$ 919,88, mais R$ 20,77 por animal não vacinado. No caso de reincidência, os valores estipulados são dobrados. 

VACINA - A dose está custando em média de R$ 1,70 a 2,00 no mercado local. A vacina é disponibiliza em frascos de 10 doses ao preço médio de R$ 18,00 e frascos de 50 doses a R$ 90,00. Pelo menos 14 estabelecimentos comerciais, sendo seis no sul do Estado e oito na capital, estão cadastrados para comercializar a vacina. 

DOENÇA - A febre aftosa é uma doença contagiosa, causada por um vírus de rápida multiplicação. É transmitida por animais infectados, materiais e equipamentos contaminados e pessoas que tiveram contato com o vírus. A doença é séria. O gado emagrece, produz menos leite, fica proibido de ir para o abate, será sacrificado e ainda cria uma barreira para as exportações de carne e outros produtos brasileiros. O último foco de aftosa em Roraima ocorreu no ano de 2001, em Caroebe.