A medida é para prevenir a disseminação da praga cochonilha rosada do hibisco, de grande potencial nocivo, detectada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em mudas de Papoula (Hibisco) nos municípios de Normandia, Bonfim e Pacaraima. Até agora não havia registros da praga no Brasil.
Trata-se de uma praga quarentenária que provavelmente entrou pela Venezuela ou Guiana, países onde estava presente há mais tempo. A cochonilha rosada tem uma importância social e econômica muito grande, pois ataca centenas de gêneros diferentes de plantas e não é específica.
A norma publicada prevê que os frutos de abacate, amora, banana, cacau, café, caqui, mamão, maracujá, pimentas e pimentões, quiabo, uva, bem como qualquer fruto das plantas do gênero Spondias spp. (cajá, umbú, ciriguela etc) ou plantas da família das anonáceas (graviola, fruta-do-conde etc), das cucurbitáceas (abóbora, pepino, melancia, etc.) e das mirtáceas (pitanga, goiaba, jabuticaba etc.) provenientes do Estado somente poderão transitar para outros estados após inspeção de partida e emissão da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV).
As partidas de alface, beterraba, espigas de milho com palha, flores de corte e vagens de espécies da família das fabáceas (feijão, ervilha, etc) estão sujeitas às mesmas exigências. A PTV deverá confirmar que a carga foi inspecionada e não foi encontrada a presença da praga.
Conforme a diretora da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) Rosirayna Remor, o procedimento de emissão do PTV para transporte das mudas já é rotina do órgão. A única coisa que muda com a Instrução Normativa é o aumento da restrição fitossanitária de frutos que saem do Estado. A lista de culturas que necessitam passar pelo trâmite agora é maior.
A Aderr foi notificada ontem à tarde sobre as novas determinações que deverão ser adotadas. As unidades de fiscalização do órgão estadual de defesa já foram informadas dos trâmites e da necessidade de cobrar o PTV para que a carga possa transpor as barreiras do Estado. A praga é de fácil identificação, por ser visível a olho nu, e não tem nenhuma restrição alimentar.
Ainda de acordo com o engenheiro agrônomo Estevam Costa, coordenador de Defesa Vegetal da Aderr, e a diretora de Defesa Vegetal do órgão, Marta Mota, a detecção da praga não afetará o Estado economicamente, visto que o fruto é exportado e não a muda. “O que vai haver agora é um controle maior dos viveiros que produzem mudas que são comercializadas”, destacaram.
Os produtores que transportam mudas para outros estados, mesmo que seja apenas uma, deverão procurar com antecedência a Aderr para que seja procedida a inspeção e posterior liberação da carga com o PTV. Mais informações poderão ser obtidas na sede da Aderr, na rua Coronel Mota,1141, Centro ou ainda pelo telefone 9112-4993.
A medida do ministério tem caráter emergencial e temporário para garantir a segurança no trânsito de vegetais e suas partes, até que informações mais atualizadas da pesquisa permitam o estabelecimento de um sistema confiável de certificação de produtos. A determinação foi publicada do Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira passada, 25, por meio da Instrução Normativa nº 30.
Conforme o Mapa, a cochonilha rosada (Maconellicoccus hirsutus) é uma praga extremamente nociva que ataca pelo menos 74 famílias e mais de 200 espécies de plantas, muitas delas de importância para o Brasil, incluindo: cítricos, cacau, chili doce, pepino, mamão, batata-doce, figo, café, uva, legumes, ervas, hibisco e palmeiras ornamentais. Ela suga a seiva e injeta substâncias tóxicas na planta, debilitando as culturas e comprometendo a produtividade dos vegetais.
A cochonilha é facilmente disseminada pelo vento, pela chuva, por meio de pássaros, formigas, roupas e veículos. O trânsito de plantas e suas partes de espécies consideradas hospedeiras (incluindo frutos frescos e o material de plantio) pelo país, ou mesmo de uma propriedade agrícola para outra podem espalhar a cochonilha.
A praga já está estabelecida na África Central e Norte, Índia, Paquistão, Norte da Austrália e Sudeste da Ásia. Em 1995, a cochonilha rosada chegou a áreas tropicais no Hemisfério Oeste. Dentro do continente sul-americano ela já havia sido detectada na Guiana Inglesa, Guiana Francesa, Venezuela, Suriname e Colômbia. (V.L.)





